Vazamento de óleo atinge três praias de Caraguatatuba

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que no final da tarde deste domingo correntes marítimas levaram o óleo para três praias de Caraguatatuba, cidade vizinha a São Sebastião: nas praias de Massaguaçu, Cocanha e Capricórnio há óleo no mar e na areia. A Transpetro confirmou a informação e afirma que já enviou equipes de limpeza para a região. Há indícios não confirmados de que outras duas praias de Caraguatatuba também foram afetadas.

O secretário municipal de Meio Ambiente de São Sebastião, no litoral paulista, Eduardo Hipólito, informou que a limpeza da maior parte do óleo que vazou do Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar), da Petrobras, já foi realizada, mas disse estar preocupado com a retirada do material que ficou impregnado em costões rochosos e na vegetação das praias da cidade. Técnicos da prefeitura devem realizar um levantamento para estimar o prejuízo causado pelo vazamento nesta semana. O município avalia as ações da Petrobras para resolver o problema e não descarta entrar na Justiça para obter compensações pelo acidente.

Neste domingo, representantes da prefeitura de São Sebastião e da Capitania dos Portos sobrevoaram a orla da cidade para vistoriá-la. Segundo o secretário Eduardo Hipólito, a Petrobras fez uma limpeza “superficial” do “grosso” do óleo, retirando areia de nove praias atingidas com pás e colocando boias de contenção e absorção na água do mar. Ele disse estar preocupado com a desmobilização dos técnicos da empresa que realizam o trabalho. Segundo Hipólito, enquanto no sábado, cerca de 300 pessoas limpavam a região, neste domingo, a função foi exercida por cerca de 30 técnicos.

O secretário disse que no fim da tarde deste domingo ainda era possível ver manchas isoladas de óleo no mar, mas está especialmente preocupado com os costões rochosos.

— Nas rochas que ficam nas extremidades das praias e na vegetação rasteira da areia ainda tem muito óleo. A limpeza disso é mais demorada. Nos costões tem muita vida marinha, tem siris, crustáceos e moluscos. Desejamos que a limpeza seja feita com calma. A Transpetro está desmobilizando a sua equipe. Vamos cobrar que eles tenham mais cuidado nessa parte de costões e mangue, pois é uma limpeza que exige jatos de água — disse o secretário.

Em nota, a Transpetro informou que a operação de limpeza da praia de Cigarras foi concluída e, na noite deste domingo, o foco é a conclusão da limpeza da Ponta do Arpoador. Ainda de acordo com a estatal, após sobrevôo na região foi acordado com a Cetesb a desmobilização dos recursos de contingência na região do píer e nas praias Deserta, Pontal da Cruz, Ponta do Lavapés e Olaria, que já estariam limpas.

Estatal não informa volume vazado

Hipólito estima que o óleo tenha atingido uma área de 15km a 20 km lineares ao longo da orla de São Sebastião. Ele reclamou que, 48h depois do acidente, a Petrobras ainda não havia informado a quantidade de óleo que vazou.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o acidente aconteceu no fim da tarde de sexta-feira, em uma linha do terminal da Transpetro (subsidiária da Petrobras), durante o abastecimento de um navio no píer. Uma válvula apresentou defeito, segundo a Cetesb.

— Houve sonegação de informação (por parte da Petrobras). Até agora não sabemos o volume vazado. A empresa, com certeza, sabe — disse o secretário.

A prefeitura manteve a recomendação para que banhistas evitem entrar nas águas de nove praias da cidade pelos próximos cinco dias, por precaução.

Expansão de píer preocupa

De acordo com o secretário, a prefeitura está preocupada com um projeto da Petrobras de expansão do terminal. Segundo ele, o píer da Petrobras existente tem capacidade para atracação de quatro navios por vez e o projeto prevê que seis embarcações possam ficar na área ao mesmo tempo.

— Eles (a Petrobras) fizeram um estudo de impacto ambiental e ainda não apresentaram à prefeitura. Já reclamamos com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) sobre isso. Um novo píer vai duplicar a probabilidade de acidentes.

Segundo o secretário, a prefeitura fará uma avaliação das medidas tomadas pela Petrobras e dos danos causados nesta semana e decidirá em quanto multará a companhia. No entanto, o município não descarta entrar na Justiça contra a empresa.

— Vamos ver se é o caso de entrar com uma ação judicial cobrando indenização. As multas que a prefeitura pode aplicar são pequenas e não são suficientes para recuperar o passivo ambiental. Vamos avaliar se a empresa vai fazer a limpeza continuada da área — disse Hipólito.

Assim como a prefeitura de São Sebastião, a Cetesb disse que a Petrobras ainda não informou o volume de óleo vazado.

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