Plataformas oferecem salários de até R$ 9 mil

“Há nove anos, quando olhava para o horizonte aqui na Bacia de Campos só via céu e água. Hoje em dia, várias plataformas preenchem a paisagem. E a tendência é termos muitas outras dessas cidades flutuantes cheias de oportunidades”. O depoimento do supervisor de produção da plataforma P-51 da Petrobras, Marcus Vinícius da Silva, de 46 anos, resume o cenário promissor da indústria de petróleo e gás brasileira para quem não tem medo de ficar 14 dias isolado em alto-mar. Entre os incentivos estão os salários, que variam de R$ 4.500 a R$ 9 mil.
 
A história do ex-militar Marcus Vinícius começou há 21 anos, ao ser aprovado em uma das seleções da Petrobras. Sempre trabalhando embarcado, o engenheiro eletricista já passou por mais de dez plataformas. Inclusive pela P-36, que afundou em março de 2001.
 
— Saí de lá pouco tempo antes do acidente. Foi muito difícil assistir a tudo, mas foi um aprendizado. Em momento nenhum tive vontade de não trabalhar mais em embarcado. Aqui, formamos uma família — conta.
Ao contrário do que se imagina, as plataformas são ambientes cheios de técnicos. Há poucos engenheiros a bordo. Entre as principais funções estão técnico de manutenção e técnico de estabilidade. Por exigirem uma formação bem específica, quem investe nelas sai na frente.
 
— A parte operacional é a que tem mais ênfase no setor de off-shore e os profissionais precisam estar preparados. Quando entram na Petrobras, todos passam por treinamento interno — explica a gerente de RH da empresa, Mariângela Mundim.
 
Entre as formações técnicas estão Mecânica, Eletrotécnica, Eletromecânica, Automação Industrial e Construção Naval. Mas também há chances para formação profissionalizante, como soldador, pintor industrial, caldeireiro e operador de guindaste. Nesses casos, os funcionários são admitidos por meio de empresas terceirizadas. No caso da P-51, quatro prestam serviço.
 
Segurança rígida e trabalho em turnos

Na P-51, trabalham 190 pessoas. A plataforma tem acomodações para 200. A rotina de trabalho é similar em todas as cidades flutuantes. Para entrar e sair delas, os meios de transporte principal são os helicópteros. Os barcos são usados apenas em casos de emergência extrema.
Para evitar acidentes, os moradores seguem uma rígida rotina de segurança. Não podem andar nas áreas externas sem macacão, botas, luvas, óculos e capacete. As mulheres têm que deixar a vaidade de lado e manter os cabelos presos e sempre escondidos sob o aparato.
 
A troca de equipes é feita de 14 em 14 dias. Para os funcionários da Petrobras, o descanso dura 21 dias. Os terceirizados passam 14 em terra. A escala de trabalho na plataforma é de 12 horas: das 7h às 19h e das 19h às 7h. Nas horas vagas, todos podem aproveitar a piscina, o campo de futebol, a sala de música, a academia, o cinema e a churrasqueira.
 
Para muitos, porém, com a rotina tão intensa, é difícil pensar em algo que não seja descansar quando o turno acaba. O técnico Victor Silva Gusmão, de 29 anos, tem a responsabilidade de manter a P-51 equilibrada: “O fluxo de materiais na plataforma é enorme e temos que cuidar para manter a estabilidade. Quando acabam as 12 horas, só penso em dormir, ler, ver TV e estar bem para o próximo turno”. Eletrotécnico, ele sempre fez concursos. Após passar na seleção da Polícia Militar, decidiu investir mais. Há três anos, está na Petrobras.

 
Fonte:  Vida Ganha

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