Petronas, da Malásia, negocia fatia na OGX

O empresário Eike Batista está negociando uma fatia de sua empresa de petróleo, a OGX, com a Petronas, empresa estatal da Malásia, como informou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Batista esteve em Kuala Lumpur, capital do país do Sudeste Asiático, em agosto do ano passado. Na ocasião, o governo malaio informou que o empresário pretendia investir US$ 6 bilhões naquele país, em projetos não definidos na ocasião. Foi então marcada a primeira viagem de executivos da Petronas ao Brasil. Desta vez, chegaram antes do Carnaval. Procurada, a OGX informou que “não comenta rumores”.

A estatal malaia produziu pouco mais de 1,1 milhão de barris de óleo equivalente (BOE) em 2012, já descontada a participação de terceiros nos 1,56 milhão de barris produzidos até setembro do ano passado, segundo o último balanço disponível. Não é a primeira vez que Batista negocia uma fatia da OGX. Em abril de 2010, ele anunciou a intenção de vender 20% da empresa. Negociou com as chinesas China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) e a Sinopec, mas o negócio não foi adiante porque teriam achado o valor atribuído à empresa muito elevado.

Na época do primeiro anúncio de venda, Batista, em entrevista veiculada pela XP Investimentos, disse que o custo unitário de produção (lifting cost) da OGX seria de US$ 8 por barril, entre outras informações. Mas esse valor parece ter sido subestimado – somente com logística de transporte a empresa gastou quase esse montante (cerca de US$ 7). Com uma campanha de perfuração agressiva, a OGX passou a sofrer crise de confiança após uma série de desapontamentos relacionados a estimativas não confirmadas de reservas e volumes de produção.

Atualmente, a OGX produz petróleo em três poços perfurados no campo Tubarão Azul, antigo Waimea, na Bacia de Campos. A produção está em 13,2 mil barris por dia (uma média de 4,4 mil barris por poço) e um quarto está previsto para ser perfurado. É ainda pouca utilização da capacidade de processamento da plataforma OSX 1 – uma unidade do tipo FPSO capaz de processar e escoar 80 mil barris/dia – que tem um custo de afretamento elevado. A petroleira já vendeu quatro cargas totalizando 2,4 milhões de barris de petróleo e que geraram uma receita líquida de R$ 494 milhões.

O custo de extração nas áreas da OGX na Bacia de Campos, parte trazida por dificuldades relacionadas à geologia dos reservatórios, também se mostrou elevado. Toda a produção passou a ser vista como mais desafiadora do que a empresa vinha prometendo ao mercado desde o início de sua campanha exploratória e as ações da petroleira sofreram quando o mercado percebeu dificuldades que não estavam previstos nas projeções de receita da companhia.

Em junho do ano passado, após a primeira confirmação de que a produção de cada poço seria de 5 mil barris e não os 18 mil a 20 mil barris que a direção da companhia vinha sugerindo, as ações começaram a cair e Batista passou a enfrentar uma crise de confiança do mercado.

Foi quando o empresário afastou o então presidente da OGX, o geólogo Paulo Mendonça, ex-Petrobras. Desde então, as ações tiveram desvalorização de 57%. Desde aquele dia até ontem, a empresa perdeu R$ 15,5 bilhões de seu valor de mercado. Ontem as ações fecharam cotadas a R$ 3,60, valorização de 11,80%.

Fonte: Valor Econômico

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