OGX muda estratégia e tenta atrair a confiança do mercado

Punida pelo mercado de capitais, depois de uma série de frustrações de expectativas criadas pelo seu controlador Eike Batista, que lhe rendeu a perda acumulada de R$ 28,3 bilhões (64,6%) em valor de mercado neste ano até agora, a OGX vai rever sua estratégia de comunicação de mercado. A petroleira do grupo EBX pretende agora focar a sua divulgação em informações factuais e menos baseadas em projeções e previsões.

Dentro dessa política, a primeira ação será tomada no primeiro semestre de 2013, quando a OGX planeja realizar um novo relatório de certificação de suas reservas. A companhia vai iniciar negociações com certificadoras especializadas para realizarem a auditoria independente do documento. O último relatório do tipo foi realizado em 2010.

Segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da OGX, Roberto Monteiro, a expectativa é lançar um relatório do tipo a cada seis meses, a exemplo do que fazem outras petroleiras do mesmo porte da OGX. “No futuro a gente vai dar guidance mais no curto prazo”, disse o executivo, que participou de reunião promovida pela Associação Nacional dos Analistas e Profissionais de Investimento de Mercado de Capitais (Apimec), no Rio de Janeiro.

O diretor explicou que a empresa espera obter “algum volume” de reservas provadas no novo relatório. Até então, a companhia havia registrado reservas apenas na categoria “2C”, tipo de reservas contingentes com chances de 50% de serem alcançadas ou excedidas. “Não consigo precisar nenhuma expectativa de volume. Mas já temos expectativa de ter algum volume em reserva provada”, afirmou.

Monteiro acrescentou que a companhia deverá aumentar em cerca de US$ 100 milhões a previsão de investimentos para 2013, anteriormente de US$ 1,2 bilhão. O incremento se deve à necessidade de aportes no bloco BS-4, na Bacia de Santos, cuja participação de 40% foi adquirida recentemente da Petrobras.

Com o “farm-in” (compra), a OGX necessitará de mais recursos para bancar seu plano de investimentos. Monteiro, no entanto, descartou a possibilidade de emitir títulos de dívida em 2013. O executivo conta com uma carta na manga: a opção de venda de ações (put) firmada em outubro com a EBX, no valor total de US$ 1 bilhão. A opção poderá ser exercida até abril de 2014. Na prática, Eike poderá ter que colocar dinheiro do próprio bolso para capitalizar a empresa.

Outra possibilidade avaliada pela OGX é a venda de participação em alguns dos seus ativos. A companhia possui 33 blocos exploratórios. “De uma forma geral, faz sentido fazer farm-out [venda] de campo maduro, já em desenvolvimento. Mas isso é do ponto de vista teórico, não há nenhuma negociação em andamento”, afirmou Monteiro.

A OGX também conta com a opção de venda para financiar novas aquisições no futuro. A empresa está acompanhando de perto o programa de desinvestimentos da Petrobras, no valor de US$ 14,8 bilhões. Foi por meio dele que a petroleira adquiriu os 40% no BS-4. Os demais sócios na área são Queiroz Galvão Exploração e Produção (operadora, com 30%) e Barra Energia (30%).

Monteiro afirmou também que a companhia pretende participar da 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevista para maio de 2013. A empresa tem interesse em desenvolver áreas de exploração e produção de petróleo na Margem Equatorial, área que será contemplada no leilão.

Fonte:Valor Econômico

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