Gás não convencional entra em foco

Além da realização da 11ª rodada de blocos de petróleo e gás e do primeiro leilão dedicado a áreas de pré-sal, o governo pretende realizar, em 2013, a primeira rodada de concessões para exploração de gás não convencional no país, afirmou ontem o secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida. Com o governo federal de olho na exploração e produção de gás produzido a partir do fracionamento de rochas, o que pode ampliar a oferta interna para abastecer indústrias e térmicas, o leilão poderá ocorrer nos dias 11 e 12 dezembro.

O governo está atento a oportunidades em seis bacias: Parecis, São Francisco, Paraná, Parnaíba, Recôncavo e Tucano. “Em São Francisco, há um potencial interessante que pode começar a vir a mercado em dois anos em projetos anteriores, mas estamos avaliando áreas”, afirmou Martins Almeida. “Faremos de tudo para que o leilão seja realizado neste ano, mas temos ainda alguns pontos a definir.”

A tecnologia de exploração exige o fraturamento das rochas no subsolo e pode provocar danos ambientais irreversíveis. Para evitar problemas, o governo estuda impor exigências regulatórias e ambientais maiores para as empresas que decidirem investir no segmento. Nos Estados Unidos, problemas no início da exploração do gás de xisto causaram prejuízos para a indústria e quase levaram ao fracasso da tecnologia. “Temos de ter empresas preparadas e temos de conciliar crescimento com risco ambiental planejado para evitar que tenhamos problemas, o que poderia inviabilizar logo no início um nicho interessante de exploração de energia”, afirmou.

O governo está otimista em relação ao potencial do gás obtido a partir do fracionamento de rochas. “Com o desenvolvimento dessa fronteira, poderemos ter preços menores para abastecer térmicas e indústrias”, disse o secretário. Hoje, a maior parte da expansão do gás no Brasil é feita pela contratação de Gás Natural Liquefeito (GNL), muito mais caro que outras fontes tradicionais. Enquanto nos Estados Unidos, o gás de xisto custa US$ 3 por milhão de BTU, o GNL chega a custar cinco vezes mais. “O gás do pré-sal ainda está distante e poderá ser caro, porque está em locais distantes da costa brasileira, o que aumenta o custo de transporte e exploração, mas o gás não convencional poderá sair a preços muito mais competitivos”, disse o presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Mauricio Tolmasquim. Em relação aos potenciais interessados nessa rodada de gás não convencional, o secretário Martins Almeida disse que a Petrobras poderia ser um deles. “A Petrobras pode participar, mas não acredito que ela tenha o mesmo interesse que terá nas outras duas rodadas, porque o retorno na exploração em águas ultraprofundas, onde ela é líder no mundo, é muito maior.”

A 11ª licitação de concessão de blocos de exploração deverá ser realizada em 14 e 15 de maio, com a assinatura dos contratos prevista para agosto. O prazo final para as empresas se habilitarem na rodada expira em 26 de março. Serão ofertados 289 blocos em 13 bacias sedimentares. “Uma parte dos blocos ofertados está na margem equatorial brasileira, uma região que atrai o investidor, porque na margem oposta, na região equatorial da África, foram feitas grandes explorações”, afirmou Almeida.

Em 28 de novembro, está prevista a realização do primeiro leilão de blocos localizados na região da camada pré-sal. Os editais deverão ser publicados em julho. A Petrobras terá de ter participação mínima de 30% nos blocos. “As três maiores descobertas dos últimos 20 anos no mundo foram na Bacia de Santos no pré-sal, o que mostra o potencial”, disse o secretário. Até o momento, estima-se na região um volume de 27,5 bilhões a 35 bilhões de barris de óleo equivalente. “Isso pode ser mais que o dobro das reservas do país”, destacou. A área a ser leiloada pode abranger 155 mil quilômetros quadrados. Ainda estão sendo definidos pelo governo os blocos a serem leiloados.

Fonte: Valor Econômico

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