EUA serão o maior produtor mundial de petróleo até 2020

Os EUA poderão tornar-se no principal produtor de petróleo ainda nesta década. Um estudo recente prevê que a produção do petróleo de xisto (não convencional, vulgo shale oil) irá triplicar até 2017, atingindo um total de 16 milhões de barris por dia. A análise é de Leonardo Maugeri, investigador do Belfer Center, da Harvard Kennedy School.

Segundo aquele estudo, este fenónemo energético deve-se a características particulares dos EUA no domínio petrolífero. Primeiro, a abundância do recurso de petróleo de xisto é significativa. Segundo, a lei da propriedade privada norte-americana permite que esta se estenda até ao ativos localizados no subsolo, facto que não acontece na Europa, por exemplo.

E como a exploração do “shale oil” é mais intensa do que a do petróleo convencional – é necessário realizar mais perfurações a fim de manter um elevado nível de produção, devido à exiguidade geológica dos reservatórios -, a legislação dos EUA motiva a capacidade de iniciativa privada na exploração daquele recurso energético.

Estes dois factos aliados ao enorme progresso nas tecnologias extractivas de petróleo não convencional geram as condições necessárias para que existam poços em operação em quantidade suficiente para assegurar um nível de produção elevado, aos preços atuais da cotação do barril de crude.

Além disso, Leonardo Maugeri frisa também que se o preço do barril descer, a produção do petróleo de xisto rapidamente pode ser ajustada em conformidade. Ou seja, “basta” diminuir o número de perfurações de novos poços.

Esta nova análise do Belfer Center vem sinalizar que a afirmação dos EUA como principal potência energética mundial pode acontecer uma década antes do previsto pela Energy Information Administration e pelo próprio Leonardo Maugeri no ano passado.

Um baralhar de cartas geopolítico

Se assim acontecer, assistiremos no curto prazo uma profunda transição geopolítica de consequências imprevistas. Por um lado, o hemisfério ocidental democrático volta a ser auto-suficiente em petróleo e gás, com base no domínio de um novo paradigma tecnológico nas tecnologias extrativas. Além disso, o Atlântico ganha uma nova centralidade, tornando-se num corredor energético alternativo e de maior segurança de abastecimento para a Europa.

Portugal não pode ter miopia estratégica e tem de urgentemente se posicionar neste novo quadro da indústria petrolífera e do gás, onde se pode tornar interessante a sua posição geoestratégica para fins de armazenamento e re-exportação de crude e gás, bem como da prestação de serviços industriais para a exploração sustentável em offshore.

Por outro lado, se esta tendência se confirmar, significa que os EUA deixarão de ficar tão dependentes do fornecimento de petróleo da OPEP e provavelmente reduzirão a sua intervenção no Médio Oriente ao mínimo indispensável para manter a estabilidade na formação do preço global do barril de crude.

Mas só diminuirá o poder de mercado do cartel da OPEP face aos EUA e a quem comprar petróleo aos EUA e aos produtores atlânticos. A OPEP (e a Rússia) terá um poder enorme sobre a China, que está a ocupar o lugar dos EUA em termos de dependência energética.

Significa isto que a China tenderá a acelerar o reforço do seu aparelho militar e força naval para assegurar a não disrupção das rotas petrolíferas nos pontos de estrangulamento de Ormuz e de Malaca.

E a Europa (Alemanha) tem a oportunidade de reduzir a sua dependência da importação de petróleo do Médio Oriente e de gás da Rússia se olhar para o Atlântico e para o Mediterrâneo Oriental (Chipre e Grécia).

Pois é – a esperança geopolítica da Europa está no seu Sul.

Fonte: http://expresso.sapo.pt/

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