Dona de casa de Salvador acha petróleo no quintal

Foi ao preparar o terreno do quintal para aumentar a casa no bairro Jardim Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador (BA), que a dona de casa Tereza Barbosa se deparou com um líquido preto no terreno e uma antiga sonda de petróleo.  Desconfiada, Tereza Barbosa acionou rapidamente a Petrobras e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Afinal, não é todo dia que se acha um poço de petróleo no fundo do quintal de casa.

“Em princípio, pensamos que era um poste antigo, que deveríamos arrancar. Nossa sorte é que, logo depois, começou a escorrer aquele líquido escuro. A gente achou que era petróleo, mas não tínhamos certeza. Por isso, paramos a obra”, disse Daniela Fiúza, filha de Tereza Barbosa, ao jornal Estado de S. Paulo.

Técnicos da estatal e da ANP já estiveram no local. Lobato foi o primeiro ponto a ter petróleo explorado no Brasil, no fim da década de 1930.
Provavelmente, a sonda encontrada no quintal de dona Tereza é uma das sete sondas que foram colocadas no período em que o petróleo começou a jorrar em Lobato. O local, batizado em homenagem a Francisco Rodrigues Lobato, proprietário da fazenda onde foi descoberto o poço, tornou-se uma comunidade pobre, com taxa de criminalidade elevada, de acordo com o jornal Tribuna da Bahia.

História da exploração no marco zero

As operações no campo de Lobato começaram oficialmente em 21 de janeiro de 1939 e duraram até a década de 1970, quando a Petrobras considerou esgotados os reservatórios existentes e deixou a área, abandonando as sondas. Após a retirada da estatal, o bairro começou a receber moradores, na maioria dos casos em moradias irregulares, oriundas de invasões.

No local pode existir ainda de 500 mil a 1 milhão de barris de petróleo, mas, segundo a ANP, não há expectativa de que se encontre na área petróleo para exploração comercial. Em nota, a ANP informa que o campo “não apresenta volume de óleo significativo, pois os reservatórios estão esgotados”. De acordo com a ANP, “os poços desse campo estão encobertos por aterros de grande extensão, sobre o qual desenvolveu-se uma zona urbana, portanto, os poços não seriam reutilizados”. A ANP disse ainda que o vazamento será investigado.

Manifestação

Os moradores aproveitaram o achado para fazer uma manifestação com o objetivo de chamar a atenção para os problemas do bairro. Segundo a presidente da Cooperativa Múltipla do Bairro Ouro Negro, Adélia Lima, o petróleo é sinônimo de riqueza no mundo, mas não em Lobato, bairro do subúrbio ferroviário, com 1.500 moradores que convivem com saneamento precário, desemprego e pobreza.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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